Eletrocardiograma

Supra de ST que não é infarto agudo

Nem todo supradesnivelamento do segmento ST é infarto agudo. Alguns diagnósticos elevam o ST e aparecem com frequência nas provas de título de especialista e de R+ de cardiologia, justamente porque confundem.

Abaixo, os cinco pontos que ajudam a separar o infarto com supra dos principais mimetizadores.

Supra de ST que não é infarto agudo: 5 diagnósticos diferenciais do eletrocardiograma

1. Aneurisma ventricular

Supra persistente sobre um infarto antigo, com ondas Q ou QS na mesma região. Não há clínica aguda nem evolução dinâmica do traçado.

Pista: paciente assintomático com infarto prévio.

Aneurisma ventricular: supra de ST persistente sobre infarto antigo, com ondas Q ou QS

2. Pericardite aguda

Supra difuso e côncavo, com infradesnivelamento de PR e alterações opostas em aVR. Não respeita território coronariano.

Pista: dor pleurítica que melhora sentado e inclinado para a frente.

Pericardite aguda no ECG: supra de ST difuso e côncavo com infradesnivelamento de PR

3. Repolarização precoce

Supra côncavo com entalhe no ponto J, mais em derivações precordiais laterais, sem alterações recíprocas. O traçado é estável ao longo do tempo.

Pista: adulto jovem, sem sintomas.

Repolarização precoce: supra de ST côncavo com entalhe no ponto J, sem alterações recíprocas

4. Outras causas para lembrar

Bloqueio de ramo esquerdo, hipertrofia ventricular esquerda, hipercalemia e padrão de Brugada em V1 e V2 também elevam o segmento ST.

Outras causas de supra de ST: bloqueio de ramo esquerdo, hipertrofia ventricular esquerda, hipercalemia e Brugada

5. Como decidir

Compare com um ECG anterior, confira a clínica e repita o traçado. Se há dor típica e dúvida, trate como infarto até prova em contrário.

Como decidir diante de supra de ST: comparar com ECG anterior, clínica e traçados seriados